TOP-10 Entrevista: Paulão (Velhas Virgens)
O cara que entrevistei este mês, Paulão de Carvalho, é meu amigo há anos.
Uma figura humana acima de qualquer suspeita, grande músico, compositor e cantor da melhor banda de rock da atualidade: os Velhas Virgens, que faz um rock básico, pé no chão que gosto muito e que faz a cabeça da moçada por nosso Brasil. Paulão é fã e tem influência dos Beatles, Creedence, AC/DC, e pelo grande Muddy Waters. Essas influências mexem com o coração e com os sentimentos da garotada louca pelos Velhas! Veja as preciosidades que o Paulão relacionou.
AC/DC - Back In Black – “Quando vi o clip da música, que dá nome ao disco, com o Angus Young chacoalhando a cabeça, descobri que esse era o som que queria tocar. Foi o primeiro disco do AC/DC que eu ouvi na vida. Amo de cabo a rabo!”
The Rolling Stones - Black And Blue – “As baladas desse disco são matadoras. Arranjos, sensibilidade, talento, estrada, história”.
Bruce Springsteen - The River – “O modo de o Bruce cantar e a força das letras me fizeram ficar fã do cara. Vê-lo ao vivo no show da anistia internacional em São Paulo foi demais. O chefão sabe tudo e, para mim, esse é seu melhor disco”.
Creedence Clearwater Revival - Bayou Country – “Eu os ouvia por osmose, já que eram os favoritos do meu irmão mais velho. Me impressiona a voz do John Fogerty e os climas densos que eles criam, especialmente em Born on the Bayou”
The Beatles - Sgt Peppers Lonely Hearts Club Band – “É impressionante a qualidade das canções, o arranjo inovador e a genialidade deste quarteto de Liverpool que, nesse disco, chega ao ápice”.
Led Zeppelin - On Through The Out Door – “É um disco que a maioria da crítica detona, mas adoro as baladas All My Love e I’m Gonna Crawl. O resto, mais pesado, é ótimo. John Paul Jones abusa dos teclados”.
Deep Purple - In Rock - “Foi o primeiro do Purple que ouvi. Outro dos meus irmãos levou para casa e minha cabeça “beatlestoniana” entrou em parafuso. O Ian Gillan canta muito e todo mundo toca muito também. Eu amo Into the Fire”.
Alice Cooper - Billion Dollar Babies – “Meu irmão mais velho já tinha e tocava vários do Alice em casa e quando saiu o disco eu já estava numa puta expectativa. Além da música tema tem outras canções notáveis como I love the Death e Elected. Rock setentista com pitadas glam de primeiríssima”.
The Doors - Morison Hotel – Bem, quando ganhei este disco trabalhava como estagiário na 89 FM - SP. Eu ia para casa, colocava na vitrola, punha as caixas de som em torno da cabeça e fica ali, numa espécie de transe”.
Muddy Waters - Muddy Mississipi Waters Alive... – “Ainda na 89 FM, achava que jazz e blues eram a mesma coisa e que o jazz era muito chato. Para mim Muddy Waters era jazz e, assim, chato. Um dia coloquei este LP na vitrola no horário da Hora do Brasil, na discoteca da rádio. Quando ouvi Manish Boy perdi o chão. O peso, a voz e o lance da coisa não rodar, ficar se repetindo. Puta merda, caralho! Este é um dos discos que mudou a minha vida e o Johnny Winter na guitarra também ajudou nisso”
TOP 3 “Brazukas”
Camisa De Vênus - Batalhões De Estranhos – “É a formação original do Camisa de Vênus, que depois teve retornos um pessoal muito melhor, tecnicamente falando. Mas como Camisa é punk, tocar bem não significa necessariamente energia. Karl, Gustavo, Marcelo, Robério e Aldo: que puta banda legal. Acho este disco um clássico, pelos hits como Eu não matei Joana D’arc, Hoje, Gothan City... Cru, cruel... adoro os coros nos refrões e os solos do Gustavo”
Ultraje A Rigor - Nós Vamos Invadir Sua Praia – “Se o Camisa me pegou pela crueza, o Ultraje foi pelo humor. Grandes letras e refrões de Roger Rocha Moreira. Outro clássico da língua portuguesa. Inutil, Zoraide, Ciúme... puta que pariu, que disco”.
Legião Urbana – Legião Urbana 1º LP – “O primeiro disco da Legião Urbana mudou minha vida. Rocks retos, letras inteligentes e panfletárias, hinos da juventude dos anos 80 e Renato Russo ainda não soltando a franga. Meu vinil gastou de tanto ouvir. Tentei escrever letras como as do Renato, mas não tive competência. Fui para putaria. Mas este disco me fez acreditar que eu podia montar uma banda e tocar rock brasileiro”.
Para terminar, Paulão emenda. “Os discos que relacionei, me fizeram sacar o que é respirar, comer, cheirar e beber o verdadeiro rock; aos brasileiros, formas de expressão em português, coisa que muita gente acha que não combina com rock. Os rocks internacionais são como livros de uma escola, artigos de uma coleção em vinil que trato como obras de arte e manuais de como fazer rock”.
Gostou? Espero que sim. Foi mais uma relação de grandes discos feita com carinho por quem faz e vive o Rock!
Obrigado Paulão e até o próximo número da Central Rock. Grande abraço a todos os leitores e não se esqueçam:
ROCK´N`ROLL SEMPRE ! E BEM ALTO! Até mais Jacaré... Bye Bye
Oswaldo “Rock” Vecchione – Cantor, baixista, compositor e fundador do Made in Brazil (SP)


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Comentários (3 postado):
Longa vida a vocês e ao Ministério do Rock!
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